Lei 15.485/2026: o que muda no CIOT, piso mínimo e contratação do frete

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A Lei nº 15.485/2026 consolidou medidas que começaram com a MP nº 1.343/2026 e elevou o nível de controle sobre contratação, CIOT, piso mínimo, pagamento do frete e RNTRC. Para a transportadora, o primeiro passo é verificar se preço, cadastro da operação, documentos fiscais e pagamento formam um fluxo coerente e comprovável.

Isso não significa que todas as obrigações começaram agora. Parte das rotinas já vinha sendo aplicada por normas e sistemas da ANTT. A mudança central é que a base legal deixou de ser provisória e passou a exigir uma revisão mais estruturada dos controles internos.

Atualização de setembro de 2026: novos coeficientes do piso mínimo

Desde 30 de setembro de 2026, os cálculos do piso mínimo devem utilizar os coeficientes publicados pela Portaria SUROC nº 22/2026. A ANTT adotou R$ 7,33 por litro como novo preço de referência do diesel S10.

A atualização foi acionada porque a variação do diesel superou o gatilho de 5% previsto na Lei nº 13.703/2018. Portanto, não se trata da revisão semestral ordinária, mas de uma atualização extraordinária dos coeficientes aplicáveis ao cálculo.

Ponto atualizadoO que a transportadora precisa fazer
Diesel S10 de referênciaUtilizar R$ 7,33 por litro na referência regulatória, sem confundir esse valor com o preço efetivamente pago pela empresa.
Coeficientes das Tabelas A, B, C e DAtualizar calculadoras, tabelas comerciais e parametrizações conforme o tipo de contratação e de operação.
VigênciaAplicar os novos valores às operações alcançadas pela norma a partir de 30 de setembro de 2026.
Validação pelo CIOTConferir o piso antes do registro. Nas cargas lotação sujeitas à política, o CIOT continua impedindo o cadastro abaixo do mínimo aplicável.

A tabela de cotação não deve ser atualizada apenas no financeiro. Comercial, operação, fiscal e sistema de gestão precisam usar a mesma vigência, classificação da carga, quantidade de eixos, distância e tipo de contratação.

Antes de liberar uma nova operação, a empresa deve revisar:

  • os coeficientes utilizados pela calculadora de frete;
  • a data considerada para aplicar a tabela vigente;
  • a separação entre piso mínimo, vale-pedágio e demais componentes do preço;
  • a coerência entre cotação, contrato, CIOT, MDF-e e pagamento;
  • os registros de alteração da parametrização, para preservar a trilha de auditoria.

Consulte a comunicação oficial da ANTT sobre a Portaria SUROC nº 22/2026 e veja também a análise da GR sobre a classificação operacional do CIOT na Portaria SUROC nº 16/2026.

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Caminhão azul representando a atuação da GR com contabilidade para transportadoras

O que a Lei 15.485/2026 consolidou

Sancionada em agosto de 2026, a Lei nº 15.485/2026 incorporou ao marco permanente do transporte rodoviário remunerado de cargas medidas relacionadas ao registro das operações, à emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), ao cumprimento do piso mínimo e à fiscalização.

Na prática, a empresa precisa deixar de tratar cada etapa de forma isolada. Uma cotação aprovada abaixo do piso, um cadastro divergente ou um pagamento sem rastreabilidade pode comprometer toda a sequência documental.

  • Contratação: identificação correta das partes, do tipo de operação e do valor contratado.
  • Validação: conferência do piso mínimo quando aplicável à carga lotação.
  • Registro: geração do CIOT pelo responsável e com dados consistentes.
  • Documentação: vínculo correto entre CIOT, MDF-e e demais documentos da viagem.
  • Pagamento: liquidação rastreável e dentro das condições legais e contratuais.
  • Evidências: guarda de registros capazes de demonstrar como a operação foi formada e executada.

Para entender a origem dessa mudança, consulte também o artigo da GR sobre a MP nº 1.343/2026, CIOT, piso mínimo e RNTRC.

CIOT obrigatório: quem deve cuidar do registro

O CIOT identifica a operação de transporte e amplia sua rastreabilidade. A responsabilidade prática depende da relação contratual: embarcador contratando diretamente, empresa de transporte contratando outra transportadora ou ETC subcontratando um TAC, por exemplo.

Por isso, antes de emitir, a empresa deve responder três perguntas: quem contratou o transporte, quem efetivamente executará a viagem e qual relação contratual está sendo registrada. Essa análise evita a emissão em nome da parte errada ou a duplicidade de operações.

O CIOT substitui CT-e, MDF-e ou contrato?

Não. O CIOT tem função regulatória e de rastreabilidade da operação. CT-e, MDF-e e contrato possuem finalidades fiscais, operacionais ou jurídicas próprias. Eles precisam conversar entre si, mas um não elimina automaticamente o outro.

Como o CIOT deve aparecer no MDF-e

Quando houver MDF-e aplicável, o identificador deve ser informado de forma consistente no documento. Divergências de placa, transportador, contratante, percurso ou valor merecem tratamento antes da saída do veículo, e não apenas depois de uma rejeição ou fiscalização.

Se sua empresa ainda tem dúvida sobre o fluxo, veja o guia da GR sobre quando a transportadora precisa emitir CIOT e o conteúdo específico sobre CIOT na subcontratação de transporte.

Equipe de transportadora confere documentos de viagem antes da saída do caminhão

Piso mínimo: quando o valor pode impedir a geração do CIOT

O piso mínimo e o CIOT são controles relacionados, mas não são a mesma coisa. Nas operações de carga lotação sujeitas à Política Nacional de Pisos Mínimos, o sistema pode impedir a geração do CIOT quando o valor informado estiver abaixo do mínimo aplicável.

A classificação da operação vem antes do cálculo. Carga lotação, carga fracionada e TAC-Agregado não devem ser escolhidos apenas por conveniência do sistema. A natureza real da contratação e da execução precisa sustentar o enquadramento.

O cálculo do piso utiliza os coeficientes vigentes para o tipo de carga e a quantidade de eixos, considerando distância e componente fixo. Como esses valores são atualizados, a cotação deve consultar a tabela e a calculadora oficiais da ANTT na data da contratação.

O piso não deve absorver automaticamente vale-pedágio, tributos, margem de lucro, taxa administrativa ou serviços complementares. A tabela comercial precisa separar cada componente para evitar uma cotação aparentemente rentável que descumpra a regra regulatória.

Exemplo de carga lotação abaixo do piso

Imagine que o cálculo oficial vigente resulte em um piso de R$ 5.800 para determinada viagem, enquanto a cotação registra R$ 5.500 como frete sujeito à validação. A diferença não deve ser “compensada” pelo valor do vale-pedágio. O correto é revisar composição, enquadramento e preço antes de tentar registrar a operação.

E a carga fracionada?

A carga fracionada pode demandar CIOT conforme a relação contratual, sem necessariamente receber a mesma validação automática de piso aplicada à carga lotação. Isso reforça por que a classificação operacional e a incidência do piso não podem ser tratadas como sinônimos.

Pagamento do frete, fiscalização e risco no RNTRC

A comunicação oficial da ANTT sobre a nova lei destaca maior rigor de fiscalização, sanções mais elevadas em determinadas hipóteses de reincidência e possíveis reflexos no RNTRC. A aplicação concreta depende da infração, do responsável, do processo administrativo e da regulamentação pertinente; não se deve presumir penalidade automática.

A lei também trouxe atenção ao prazo de pagamento nas relações abrangidas. Como a contagem e a responsabilidade podem variar conforme o enquadramento, contrato e evento que torna o valor exigível, o financeiro deve validar a situação concreta em vez de adotar uma regra genérica para todas as operações.

O controle recomendável é conciliar: data da contratação, emissão do CIOT, documentos da viagem, comprovante de entrega, vencimento e liquidação. O pagamento precisa ser localizável por operação e por favorecido.

Equipe operacional compara dados de rota e documentos em central de transportes

ANTT já iniciou suspensões por descumprimento reiterado do piso mínimo

A fiscalização deixou de representar apenas risco de multa isolada. Em setembro de 2026, a ANTT informou o início de procedimentos de suspensão cautelar contra empresas com descumprimento reiterado da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

A medida pode alcançar empresas com mais de quatro autuações, em datas diferentes, dentro de seis meses, quando houver risco concreto de continuidade da infração, prejuízo à fiscalização ou comprometimento da política pública. Os atos produzem efeitos 72 horas após a publicação.

SituaçãoConsequência possível
Mais de quatro autuações em datas distintas dentro de seis mesesSuspensão cautelar do RNTRC por 5 a 30 dias, conforme o caso e o processo aplicável.
Reincidência após decisão administrativa definitivaSuspensão por até 45 dias.
Irregularidades reiteradasCancelamento do RNTRC por até dois anos e multa majorada, que pode chegar a R$ 1 milhão.
Carga lotação com valor declarado abaixo do pisoO CIOT não é gerado, impedindo o avanço regular da operação.

A transportadora precisa tratar reincidência como indicador de risco regulatório. Isso exige conciliar autuações, recursos, valores contratados, CIOT, MDF-e, comprovantes de pagamento e correções realizadas, em vez de analisar cada ocorrência de forma isolada.

Fonte: ANTT: procedimentos para suspensão por descumprimento do piso mínimo.

O que a Resolução ANTT nº 6.090/2026 confirmou sobre o CIOT

A Resolução ANTT nº 6.090/2026 formalizou a obrigatoriedade do registro das operações remuneradas de transporte rodoviário de cargas por meio do CIOT a partir de 18 de setembro de 2026. A norma também preservou as obrigações de registro e geração já existentes, desde que não contrariem a Lei nº 15.485/2026.

Na prática, a empresa não deve interpretar a nova data como reinício ou suspensão das obrigações anteriores. O caminho seguro é manter o cadastro da operação, o vínculo com o MDF-e, a validação do piso e a trilha de pagamento funcionando de forma integrada.

Fonte: Resolução ANTT nº 6.090/2026.

Como funciona a fiscalização eletrônica da ANTT

A ANTT informa que a fiscalização eletrônica do piso mínimo usa as informações declaradas no MDF-e e nas bases do RNTRC e do CIOT. Na prática, a regularidade deixa de depender apenas de uma abordagem em estrada: os dados da operação podem ser confrontados eletronicamente.

Desde 24 de maio de 2026, nas operações de carga lotação sujeitas ao piso mínimo, o CIOT não pode ser cadastrado quando o valor informado está abaixo do mínimo aplicável. A validação ocorre antes da viagem e reforça a necessidade de calcular e documentar corretamente a contratação.

Antes de liberar o veículo, a transportadora deve conferir:

  • se o CIOT está vinculado ao MDF-e da mesma operação;
  • se contratante, transportador, origem, destino e veículo estão consistentes;
  • se o valor informado corresponde ao enquadramento e à tabela vigente;
  • se o RNTRC e os dados cadastrais estão regulares;
  • se frete, vale-pedágio e demais componentes foram separados corretamente.

Corrigir apenas um documento não resolve divergências mantidas nos demais registros. Veja também como organizar a coerência entre CT-e, MDF-e e outros documentos fiscais do transporte.

O que a transportadora precisa revisar agora

  1. Tabela comercial: separar piso, vale-pedágio, tributos, margem e serviços adicionais.
  2. Classificação operacional: documentar critérios para lotação, fracionada e TAC-Agregado.
  3. Cadastros: conferir RNTRC, CNPJ/CPF, veículos, placas, contratante e transportador.
  4. Sistemas: validar integração entre TMS/ERP, emissor de CIOT e emissão do MDF-e.
  5. Alçadas: impedir aprovação automática de cotação abaixo do piso quando ele for aplicável.
  6. Subcontratação: definir quem registra a operação e quais documentos recebe antes da viagem.
  7. Pagamento: conciliar vencimento, favorecido, meio de pagamento e comprovantes.
  8. Retificação e cancelamento: estabelecer responsável e prazo interno para corrigir divergências.
  9. Guarda documental: manter contrato, cálculo, CIOT, MDF-e, comprovantes e ocorrências vinculados.
  10. Treinamento: alinhar comercial, expedição, fiscal, financeiro e gestão de terceiros.

Checklist de conformidade para a Lei 15.485/2026

ControleResponsável sugeridoEvidência
Enquadrar a operaçãoOperação/comercialCadastro e regra aprovada
Calcular o piso vigenteComercialMemória de cálculo
Separar vale-pedágioFinanceiroComprovante de antecipação
Gerar e validar o CIOTOperaçãoRegistro da operação
Vincular ao MDF-eFiscal/expediçãoXML autorizado
Conciliar o pagamentoFinanceiroBaixa por operação
Tratar divergênciasGestor do processoLog de correção
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Perguntas frequentes

O que mudou com a Lei 15.485/2026?

A lei tornou definitivas medidas que vinham da MP nº 1.343/2026 e reforçou o registro das operações, a emissão do CIOT, a fiscalização do piso mínimo, os controles de pagamento e as consequências regulatórias. A transportadora deve revisar o fluxo completo, e não apenas o emissor de CIOT.

É possível gerar CIOT abaixo do piso mínimo?

Nas operações de carga lotação submetidas à validação do piso, o sistema pode bloquear a geração quando o valor informado está abaixo do mínimo. É necessário revisar cálculo, enquadramento e composição do frete com base na tabela vigente.

O CIOT substitui o CT-e ou o MDF-e?

Não. Cada documento cumpre uma finalidade. O CIOT identifica a operação; CT-e e MDF-e atendem obrigações fiscais e operacionais próprias. Os dados devem ser consistentes entre si.

Vale-pedágio faz parte do piso mínimo?

Não deve ser absorvido pelo frete ou pelo piso. O vale-pedágio obrigatório é antecipado separadamente pelo contratante, conforme as regras aplicáveis.

Quem gera o CIOT na subcontratação?

Depende da cadeia contratual e de quem contrata o transportador que executará o transporte remunerado. A empresa deve mapear as relações e evitar cadastrar a operação com responsável incorreto.

Conclusão

A Lei nº 15.485/2026 transforma uma mudança provisória em um programa permanente de conformidade. O ponto crítico é a coerência entre cotação, enquadramento, CIOT, MDF-e e pagamento.

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Fontes oficiais consultadas

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