Escolher o regime tributário para transportadora correto pode representar uma economia de milhares de reais por mês. Em 2026, com as mudanças na legislação tributária e o aumento contínuo dos custos operacionais no setor de transporte rodoviário de cargas, essa decisão se tornou ainda mais crítica para a sobrevivência e lucratividade do seu negócio.
Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) de 2025, empresas de transporte que fazem o planejamento tributário adequado podem economizar entre 15% e 35% em tributos anuais, dependendo do porte e faturamento. A diferença entre optar pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real pode significar a diferença entre crescer de forma sustentável ou enfrentar dificuldades financeiras.
Neste guia completo, você vai descobrir qual o melhor regime tributário para sua transportadora, entender as vantagens e desvantagens de cada opção, aprender sobre o impacto no ICMS e conhecer estratégias práticas para reduzir sua carga tributária legalmente em 2026.
O Que é Regime Tributário e Por Que Ele é Fundamental para Transportadoras
O regime tributário define como sua transportadora vai calcular e pagar os impostos federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). É a base legal que determina alíquotas, formas de apuração e obrigações acessórias que sua empresa deve cumprir.
Para empresas de transporte rodoviário, essa escolha é ainda mais complexa do que para outros setores. Isso porque além dos tributos federais, você precisa considerar:
- ICMS sobre frete e suas particularidades estaduais
- Sistema de crédito outorgado de 20% disponível para algumas transportadoras
- Recuperação de créditos de PIS/COFINS sobre insumos (combustível, peças, pneus)
- Impacto nos clientes que precisam de crédito de ICMS
La legislação brasileira oferece três opções principais de regime tributário para transportadoras em 2026: Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Cada um possui características específicas, limitações de faturamento e impactos diretos na sua margem de lucro.
Por Que o Regime Tributário Errado Pode Quebrar Sua Transportadora
Muitos empresários do setor de transporte escolhem o regime tributário baseados apenas em “achismos” ou na recomendação de conhecidos. Essa decisão sem fundamento técnico pode causar:
- Pagamento excessivo de impostos que poderiam ser evitados legalmente
- Perda de competitividade ao não conseguir oferecer crédito de ICMS aos clientes
- Problemas com fiscalização por escolha inadequada ao perfil da empresa
- Dificuldades de fluxo de caixa devido a obrigações tributárias mal planejadas
A boa notícia é que com orientação especializada e análise técnica do seu negócio, você pode fazer a escolha certa e maximizar seus resultados.
Simples Nacional para Transportadora: Quando Vale a Pena?
O Simples Nacional é um regime tributário simplificado, criado para facilitar a vida de micro e pequenas empresas. Para transportadoras, ele possui regras específicas que você precisa conhecer antes de optar.
Limites e Requisitos do Simples Nacional em 2026
Para sua transportadora se enquadrar no Simples Nacional em 2026, é necessário:
- Faturamento anual de até R$ 4.800.000,00 (limite vigente)
- Não possuir débitos com INSS ou Receita Federal
- Não ter sócio no exterior ou pessoa jurídica como sócio
- Não exercer atividades impeditivas listadas na legislação
Como Funciona a Tributação no Simples Nacional
No Simples Nacional, sua transportadora paga todos os tributos em uma única guia (DAS), que inclui:
- IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)
- CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido)
- PIS (Programa de Integração Social)
- COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social)
- ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços)
- CPP (Contribuição Previdenciária Patronal)
A alíquota é progressiva e varia conforme o faturamento acumulado dos últimos 12 meses. Para transportadoras, os percentuais estão no Anexo III do Simples Nacional e podem variar de 6% a 19,50% sobre a receita bruta mensal.
Vantagens do Simples Nacional para Transportadoras
- 1. Simplificação Administrativa: Uma única guia para todos os tributos reduz significativamente a burocracia e os custos com obrigações acessórias.
- 2. Menor Carga em Faturamentos Iniciais: Para transportadoras com faturamento nas primeiras faixas, a carga tributária tende a ser menor que em outros regimes.
- 3. Competitividade em Redespach: Se sua transportadora presta serviços de redespacho para empresas que utilizam o crédito outorgado de 20% do ICMS, o Simples pode ser vantajoso. Como a legislação veda outros créditos para quem usa crédito outorgado, o contratante prefere parceiros com menor impacto tributário – e o Simples geralmente oferece isso.
- 4. Redução de Custos para Clientes Específicos: Empresas que não recuperam crédito de ICMS (como optantes pelo Simples ou pelo crédito outorgado) preferem contratar transportadoras do Simples, pois o impacto tributário embutido no frete é menor.
Desvantagens e Limitações do Simples Nacional
- 1. Vedação ao Crédito de ICMS: A principal desvantagem é que empresas do Simples não geram crédito de ICMS para os tomadores de serviço. Isso significa que se seu cliente principal recupera crédito de ICMS nas operações (regime normal de tributação), ele pode preferir não contratar sua transportadora, pois não poderá aproveitar esse benefício fiscal.
- 2. Falta de Recuperação de Créditos: No Simples, você não pode recuperar créditos de PIS e COFINS sobre insumos como combustível, pneus, peças e manutenção. Isso aumenta seu custo efetivo.
- 3. Limitação de Faturamento: O teto de R$ 4,8 milhões anuais pode ser rapidamente atingido por transportadoras em crescimento, forçando o desenquadramento.
- 4. Alíquotas Crescentes: Conforme o faturamento aumenta, a alíquota efetiva também cresce, podendo chegar a quase 20% nas últimas faixas – valor que pode ser superior a outros regimes para empresas maiores.
Quando Optar pelo Simples Nacional na Prática
O Simples Nacional é recomendado para sua transportadora quando:
- Seu faturamento anual está abaixo de R$ 2,5 milhões (faixas iniciais do Anexo III)
- Seus principais clientes não recuperam crédito de ICMS ou estão também no Simples
- Você presta serviços de redespacho para empresas que utilizam crédito outorgado de 20%
- Busca simplificação administrativa e redução de custos operacionais com contabilidade
Importante: Realize sempre uma simulação comparativa com os outros regimes antes de decidir.
Lucro Presumido para Transportadora: Características e Aplicação
O Lucro Presumido é um regime tributário intermediário, adequado para empresas que ultrapassaram o limite do Simples Nacional ou que, por análise estratégica, identificaram vantagens nessa modalidade.
Como Funciona o Lucro Presumido
No Lucro Presumido, a Receita Federal presume que uma margem de lucro padrão sobre seu faturamento corresponde à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para transportadoras, essa margem é de:
- 8% do faturamento para cálculo do IRPJ
- 12% do faturamento para cálculo da CSLL
Sobre essas bases presumidas, aplicam-se as seguintes alíquotas:
- IRPJ: 15% sobre 8% do faturamento = 1,2% sobre a receita bruta
- CSLL: 9% sobre 12% do faturamento = 1,08% sobre a receita bruta
- Total de IR e CSLL: 2,28% da receita bruta (trimestral)
Além disso, você paga separadamente:
- PIS: 0,65% sobre o faturamento (regime cumulativo)
- COFINS: 3% sobre o faturamento (regime cumulativo)
- ICMS: Conforme legislação estadual (geralmente regime normal de débito e crédito)
Carga Tributária Efetiva no Lucro Presumido
Somando todos os tributos federais do Lucro Presumido, temos:
- IRPJ + CSLL: 2,28%
- PIS: 0,65%
- COFINS: 3%
- Total Federal: 5,93% sobre o faturamento
A esse percentual, você ainda deve somar o ICMS (que varia conforme o estado e operação) e a Contribuição Previdenciária Patronal (CPP), calculada sobre a folha de pagamento (20% sobre salários, mais RAT e terceiros).
Vantagens do Lucro Presumido para Transportadoras
- 1. Previsibilidade Tributária: Como as alíquotas são fixas sobre o faturamento, você consegue projetar com precisão quanto pagará de impostos, facilitando o planejamento financeiro.
- 2. Simplicidade Relativa: Embora mais complexo que o Simples, o Lucro Presumido ainda é mais simples que o Lucro Real, com menos obrigações acessórias.
- 3. Vantagem em Alta Lucratividade: Se sua transportadora tem margem de lucro superior a 8%, você paga imposto sobre essa presunção (8%), e não sobre o lucro real maior. Isso pode ser vantajoso.
- 4. Geração de Crédito de ICMS: Diferente do Simples, no Lucro Presumido sua transportadora gera crédito de ICMS para os clientes, tornando seus serviços mais atrativos para empresas que recuperam esse tributo.
Desvantagens do Lucro Presumido
- 1. Tributação Mesmo com Prejuízo: Como a base é sobre o faturamento (presunção), você paga IRPJ e CSLL mesmo que tenha prejuízo operacional no período.
- 2. Falta de Recuperação de Créditos Federais: No regime cumulativo de PIS/COFINS (aplicável ao Lucro Presumido), você não recupera créditos sobre insumos, combustível, pneus, manutenção, etc. Isso aumenta o custo efetivo desses tributos.
- 3. Limite de Faturamento: O Lucro Presumido está limitado a empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões (ou R$ 6,5 milhões multiplicado pelo número de meses de atividade no ano).
Quando Optar pelo Lucro Presumido
O Lucro Presumido é recomendado quando:
- Seu faturamento ultrapassou R$ 4,8 milhões (limite do Simples) ou está próximo disso
- Sua margem de lucro é superior a 8% (acima da presunção)
- Seus clientes principais recuperam crédito de ICMS e exigem que você gere esse crédito
- Você tem poucos custos com insumos dedutíveis (o que tornaria o Lucro Real mais vantajoso)
- Busca previsibilidade e simplicidade sem abrir mão da competitividade comercial
Lucro Real para Transportadora: Máxima Precisão Tributária
O Lucro Real é o regime tributário mais completo e preciso, pois tributa o lucro efetivamente apurado pela contabilidade, e não uma presunção ou faturamento. Para transportadoras com estrutura de custos elevada, pode ser a opção mais econômica.
Como Funciona o Lucro Real
No Lucro Real, o IRPJ e a CSLL são calculados sobre o lucro contábil ajustado segundo as regras fiscais:
- IRPJ: 15% sobre o lucro (+ adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20 mil/mês)
- CSLL: 9% sobre o lucro
Importante: Se a empresa apurar prejuízo fiscal, não há recolhimento de IRPJ e CSLL naquele período. Esse é um diferencial crucial em relação aos outros regimes.
PIS e COFINS no Regime Não-Cumulativo
No Lucro Real, o PIS e a COFINS são apurados pelo regime não-cumulativo, com alíquotas maiores, mas com possibilidade de recuperação de créditos:
- PIS: 1,65% sobre o faturamento
- COFINS: 7,6% sobre o faturamento
- Total: 9,25% sobre o faturamento
A grande vantagem é que você pode descontar créditos calculados sobre:
- Combustível (diesel, gasolina, etc.)
- Pneus e câmaras de ar
- Peças de reposição e manutenção
- Seguros (mediante análise técnica e, preferencialmente, respaldo judicial)
- Pedágios (mediante análise técnica e, preferencialmente, respaldo judicial)
- Outros insumos utilizados diretamente na prestação do serviço de transporte
O Conceito de Insumos e Suas Controvérsias
A questão mais crítica e controversa do Lucro Real para transportadoras está no conceito de insumos para fins de crédito de PIS/COFINS. A legislação tributária não define claramente o que são insumos, gerando diversas interpretações. A Receita Federal, por meio de Soluções de Consulta, historicamente adota uma postura restritiva, negando créditos sobre:
- Seguros de carga e responsabilidade civil
- Serviços de vigilância e rastreamento
- Pedágios
- Despesas administrativas gerais
Por outro lado, decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) têm ampliado o conceito de insumos, permitindo créditos sobre itens essenciais à atividade de transporte, mesmo que não sejam incorporados fisicamente ao serviço.
Riscos e Precauções no Aproveitamento de Créditos
- 1. Postura Conservadora: Alguns contadores recomendam recuperar apenas créditos sobre combustível, pneus e peças, evitando questionamentos fiscais.
- 2. Postura Arrojada: Outros profissionais, baseados em decisões favoráveis do CARF, incluem seguros, pedágios e rastreamento como insumos. Essa estratégia pode ser legalmente defensável, mas expõe a empresa a eventual autuação fiscal.
- 3. Segurança Jurídica: Para itens controversos (seguros, vigilância, pedágios), o mais seguro é buscar respaldo judicial preventivo por meio de ação declaratória. Isso garante que, mesmo havendo fiscalização, sua empresa não será autuada.
Todas as informações sobre créditos devem ser declaradas no SPED Contribuições, ficando visíveis para a Receita Federal. Portanto, transparência e fundamentação técnica são essenciais.
Vantagens do Lucro Real para Transportadoras
- 1. Tributação Justa: No Lucro Real, você paga impostos apenas sobre o lucro efetivo. Em períodos de prejuízo ou baixa margem, não há recolhimento de IRPJ e CSLL.
- 2. Recuperação de Créditos de PIS/COFINS: Para transportadoras com alta despesa em combustível, pneus, manutenção e peças, a recuperação desses créditos pode reduzir significativamente a carga tributária federal. Em algumas empresas, os créditos podem chegar a 50% ou mais do valor devido de PIS/COFINS.
- 3. Ideal para Grandes Operações: Empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões são obrigadas ao Lucro Real, mas mesmo abaixo desse limite, pode ser vantajoso.
- 4. Geração de Crédito de ICMS: Assim como no Lucro Presumido, sua transportadora gera crédito de ICMS para os clientes.
Desvantagens do Lucro Real
- 1. Complexidade Contábil: O Lucro Real exige contabilidade rigorosa, com apuração precisa de receitas, custos e despesas. As obrigações acessórias são mais numerosas (ECD, ECF, SPED Contribuições, etc.).
- 2. Custo Maior com Contabilidade: A complexidade aumenta os honorários contábeis e exige um escritório especializado no setor de transportes.
- 3. Incerteza sobre Créditos: A falta de definição clara sobre insumos gera insegurança jurídica, podendo resultar em autuações fiscais se a Receita discordar dos créditos apropriados.
Quando Optar pelo Lucro Real
O Lucro Real é recomendado quando:
- Seu faturamento ultrapassa R$ 78 milhões anuais (obrigatório)
- Sua margem de lucro é baixa (inferior a 8%)
- Você tem alto volume de insumos dedutíveis: combustível, pneus, manutenção, peças
- Quer recuperar créditos de PIS/COFINS sobre esses insumos (com respaldo técnico adequado)
- Está disposto a investir em contabilidade especializada e em eventual segurança jurídica para créditos controversos
ICMS para Transportadoras: Entenda o Impacto em Cada Regime
O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) incide sobre o serviço de transporte rodoviário de cargas e possui regras específicas que variam conforme o estado e o regime tributário escolhido.
ICMS no Simples Nacional
Para transportadoras optantes pelo Simples Nacional, o ICMS está incluído na guia única (DAS). A alíquota varia conforme a faixa de faturamento no Anexo III.
Consequência principal: Empresas do Simples não geram crédito de ICMS para os tomadores de serviço. Isso pode afastar clientes que recuperam esse tributo.
ICMS no Lucro Presumido e Lucro Real
No Lucro Presumido e no Lucro Real, o ICMS é apurado separadamente, conforme a legislação estadual:
- Alíquota: Geralmente 12% sobre o valor do frete (vária conforme estado e operação)
- Regime: Débito e Crédito (normal) ou Crédito Outorgado de 20%
Crédito Outorgado de 20% do ICMS: O Que É?
Alguns estados permitem que a transportadora opte pelo sistema de crédito outorgado de 20%, uma forma simplificada de apuração do ICMS.
Como funciona:
- A empresa desconta 20% do valor do frete como crédito presumido de ICMS
- Aplica a alíquota de 12% sobre o valor do frete
- Importante: Quem opta pelo crédito outorgado não pode recuperar outros créditos de ICMS, como ICMS sobre combustível, peças, etc.
Impacto do Crédito Outorgado na Escolha de Parceiros
Essa regra tem impacto estratégico na contratação de redespacho:
Se sua transportadora usa crédito outorgado de 20%:
- Não pode recuperar crédito de ICMS de serviços contratados
- Logo, é vantajoso contratar prestadores do Simples Nacional, pois o impacto tributário deles é menor (e você não perderia nenhum crédito, já que não pode apropriar mesmo)
Se sua transportadora NÃO usa crédito outorgado:
- Pode recuperar crédito de ICMS sobre serviços de redespacho contratados
- Logo, é desvantajoso contratar prestadores do Simples, pois eles não geram crédito
- Prefira contratar transportadoras no Lucro Presumido ou Real, que geram o crédito
ICMS e Reforma Tributária: Prepare-se para 2026 e Além
A Reforma Tributária aprovada pelo Congresso Nacional prevê a substituição gradual do ICMS e ISS pelos novos tributos IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Embora a transição completa ocorra até 2033, as transportadoras já devem se preparar:
- 2026: Período de testes e ajustes iniciais
- 2027-2032: Transição gradual com alíquotas mistas (ICMS/ISS + IBS/CBS)
- 2033 em diante: Sistema totalmente unificado
Impactos esperados para transportadoras:
- Simplificação da tributação sobre serviços de transporte
- Fim das complexidades de ICMS interestaduais
- Possível aumento inicial da carga tributária (alíquota única estimada entre 26% e 28%)
- Necessidade de revisão completa do planejamento tributário
Fique atento e conte com um contador especializado para navegar essas mudanças.
Como Escolher o Melhor Regime Tributário para Sua Transportadora
Agora que você conhece os três regimes, como decidir qual é o melhor para seu negócio? A resposta depende de uma análise técnica individualizada que considere diversos fatores.
Passo 1: Analise Seu Faturamento Atual e Projetado
- Até R$ 4,8 milhões/ano: Simples Nacional é uma opção viável
- Entre R$ 4,8 e R$ 78 milhões/ano: Lucro Presumido ou Lucro Real (simular)
- Acima de R$ 78 milhões/ano: Lucro Real (obrigatório)
Passo 2: Calcule Sua Margem de Lucro Real
Se sua margem de lucro for:
- Acima de 8%: Lucro Presumido pode ser vantajoso (você paga sobre 8%, não sobre o lucro real maior)
- Abaixo de 8%: Lucro Real tende a ser mais econômico (você paga sobre o lucro menor)
- Variável/instável: Lucro Real oferece mais flexibilidade (em prejuízo, não paga IR/CSLL)
Passo 3: Mapeie Seus Insumos Principais
Levante quanto sua transportadora gasta mensalmente com:
- Combustível
- Pneus e câmaras de ar
- Peças de reposição
- Manutenção preventiva e corretiva
- Seguros (carga, responsabilidade, frotas)
- Pedágios
- Rastreamento e monitoramento
Se o total for superior a 40-50% do faturamento, o Lucro Real com aproveitamento de créditos de PIS/COFINS pode gerar economia significativa.
Passo 4: Identifique o Perfil dos Seus Clientes
Pergunte-se:
- Meus clientes principais recuperam crédito de ICMS?
- Eles exigem que eu gere crédito de ICMS nas notas fiscais?
- Trabalho com redespacho para empresas que usam crédito outorgado?
Se seus clientes recuperam ICMS: Evite o Simples Nacional. Se seus clientes NÃO recuperam ICMS: O Simples pode ser vantajoso.
Passo 5: Considere Sua Estrutura Contábil
- Simples Nacional: Contabilidade mais simples, custos menores
- Lucro Presumido: Contabilidade intermediária
- Lucro Real: Contabilidade complexa, exige especialização, custos maiores
Avalie se você tem ou está disposto a contratar uma contabilidade especializada em transportadoras – isso é essencial especialmente no Lucro Real.
Passo 6: Faça Simulações Reais e Comparativas
Não decida “no achismo”. Solicite a um contador especializado que faça simulações com seus dados reais dos últimos 12 meses, calculando:
- Carga tributária efetiva em cada regime
- Diferença financeira mensal e anual
- Impacto no fluxo de caixa
- Viabilidade de recuperação de créditos (no Lucro Real)
Com essas informações, você terá uma base sólida para tomar a melhor decisão.
Planejamento Tributário para Transportadoras: Economize Legalmente
Além de escolher o regime tributário correto, existem outras estratégias legais de planejamento tributário que podem reduzir ainda mais sua carga de impostos.
1. Revisão Periódica do Enquadramento
O regime tributário pode ser alterado uma vez por ano, com efeito no ano seguinte (exceto no início de atividades). Portanto:
- Anualmente, em outubro/novembro, revise se o regime atual ainda é o mais vantajoso
- Projete o faturamento e resultados para o ano seguinte
- Simule os três regimes com base nas projeções
- Se necessário, solicite o desenquadramento ou mudança de regime até 31 de janeiro
2. Holding Patrimonial
Para proteger o patrimônio dos sócios e reduzir tributos sobre distribuição de lucros e eventual venda futura, considere criar uma holding patrimonial:
- Os veículos (caminhões, carretas) são transferidos para la holding
- A transportadora operacional aluga os veículos da holding
- Benefícios: proteção patrimonial, planejamento sucessório, eficiência tributária
Essa estratégia deve ser implementada com assessoria jurídica e contábil especializada. Saiba mais sobre o que é holding e como funciona.
3. Segregação de Atividades
Se sua empresa realiza outras atividades além do transporte (por exemplo, armazenagem, logística, comércio de peças), pode ser vantajoso segregar em CNPJs distintos, cada um com o regime mais adequado à sua atividade.
4. Aproveitamento Máximo de Incentivos Fiscais
Fique atento a incentivos fiscais estaduais e municipais disponíveis para o setor de transporte, como:
- Programas de financiamento com juros subsidiados
- Isenções ou reduções de IPVA para frotas
- Benefícios do ICMS concedidos por alguns estados
5. Gestão Eficiente de Obrigações Acessórias
Prazos perdidos, declarações enviadas incorretamente e erros em documentos fiscais geram multas pesadas. Invista em:
- Sistema de gestão integrado (ERP) para transportadoras
- Contabilidade especializada que acompanhe prazos e obrigações
- Treinamento da equipe fiscal e administrativa
A gestão financeira para transportadoras eficiente é essencial para evitar problemas.
Erros Comuns na Escolha do Regime Tributário (E Como Evitá-los)
Ao longo dos anos, vemos transportadores cometendo os mesmos erros na hora de escolher o regime tributário. Veja os principais e como evitá-los:
Erro 1: Escolher Baseado Apenas no Faturamento
Muitos pensam: “Meu faturamento é baixo, vou pro Simples”. Mas faturamento não é lucro. Se sua margem for apertada e seus custos com insumos altos, o Lucro Real pode ser mais vantajoso, mesmo com faturamento menor.
Solução: Faça a análise completa, não apenas do faturamento.
Erro 2: Ignorar o Perfil dos Clientes
Optar pelo Simples sem considerar que seus principais clientes exigem crédito de ICMS é um erro fatal. Você pode perder contratos importantes.
Solução: Mapeie seus clientes antes de decidir.
Erro 3: Não Simular os Três Regimes
Decidir “de cara” sem fazer contas reais é jogar dinheiro fora.
Solução: Sempre faça simulações com dados reais dos últimos 12 meses.
Erro 4: Não Revisar Anualmente
O regime que era bom em 2024 pode não ser mais vantajoso em 2026. Seu faturamento muda, seus custos mudam, a legislação muda.
Solução: Revise o enquadramento todo ano, em outubro/novembro.
Erro 5: Não Contar com Especialista em Transportadoras
Contratar um contador genérico, sem experiência no setor de transporte, é arriscar perder oportunidades fiscais ou cometer erros graves.
Solução: Trabalhe com contabilidade especializada em transportadoras.
Calendário Tributário 2026: Prazos Importantes para Transportadoras
Para não perder prazos e evitar multas, fique atento ao calendário tributário:
Janeiro
- Até 20/01: Pagamento da 1ª parcela do IPVA (varia conforme estado)
- Até 31/01: Último dia para solicitar opção pelo Simples Nacional (empresas novas ou desenquadradas no ano anterior)
Fevereiro
- Até 28/02: Entrega da DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte)
Março
- Até 31/03: Entrega da RAIS (Relação Anual de Informações Sociais)
- Até 31/03: Entrega da DEFIS (Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais) para optantes do Simples Nacional
Abril
- Até 30/04: Prazo para entrega da DIRF (em caso de extinção, fusão, cisão ou incorporação)
Maio
- Até 31/05: Entrega do ECD (Escrituração Contábil Digital) – Lucro Presumido e Lucro Real
- Até 31/05: Entrega da ECF (Escrituração Contábil Fiscal) – Lucro Real
Mensalmente
- Até dia 7: Recolhimento do INSS sobre folha de pagamento
- Até dia 20: Recolhimento do FGTS
- Até dia 20 (ou dia útil seguinte): Pagamento da guia DAS (Simples Nacional)
- Até último dia útil: Recolhimento de PIS/COFINS (Lucro Presumido e Lucro Real)
Atenção: Prazos podem variar conforme estado e município. Mantenha-se atualizado com sua contabilidade.
Conclusão: Tome a Decisão Certa para Sua Transportadora em 2026
Escolher o regime tributário para transportadora correto é uma das decisões mais importantes para a saúde financeira do seu negócio. Não é uma escolha que deve ser feita de forma apressada ou sem fundamentação técnica.
Recapitulando os pontos essenciais:
- ✅ Simples Nacional: Ideal para faturamentos menores (até R$ 2,5 milhões), clientes que não exigem crédito de ICMS, e quem busca simplicidade administrativa.
- ✅ Lucro Presumido: Recomendado para faturamentos entre R$ 4,8 e R$ 78 milhões, margem de lucro acima de 8%, clientes que exigem crédito de ICMS, e quem prefere previsibilidade.
- ✅ Lucro Real: Obrigatório acima de R$ 78 milhões, mas pode ser vantajoso para margens baixas, alto custo com insumos, e empresas que querem recuperar créditos de PIS/COFINS.
- ✅ ICMS: Considere o impacto do crédito (ou falta dele) nos seus clientes e na competitividade comercial.
A boa notícia é que você não precisa tomar essa decisão sozinho. Contar com uma assessoria contábil especializada em transportadoras faz toda a diferença entre pagar impostos demais ou otimizar sua carga tributária legalmente. Em 2026, com as mudanças trazidas pela Reforma Tributária em andamento e a crescente fiscalização digital, estar bem assessorado é mais importante do que nunca.
Próximos passos:
- Reúna seus dados financeiros dos últimos 12 meses (faturamento, custos, despesas)
- Solicite uma análise comparativa entre os três regimes com um contador especializado
- Considere o perfil dos seus clientes e suas exigências fiscais
- Tome a decisão com base em números reais, não em achismos
- Revise anualmente seu enquadramento e ajuste se necessário
Lembre-se: economia tributária não é sonegação. É usar inteligência, planejamento e conhecimento técnico para pagar apenas o que é devido, nem mais, nem menos.
Está pronto para otimizar o regime tributário da sua transportadora e economizar milhares de reais por ano?